Foi naquele momento que um filme inteiro passou por mim.
Não me via, mais podia sentir a dor me abraçar como uma irmã, ou um parente próximo quando anos não me via.
Esse sentimento doloroso faz com que me sinta vivo diante de uma luta sem fim.
Fico agunizando na tristeza, mais olhando pra frente sempre ganho forças para proceguir.
Foram em questão de segundos que perdi a vida.
Vi tudo aquilo escorrer da minha mão. Senti o último pulsar dentro de mim, mesmo longe de mim.
Assisti, ainda de olhos abertos, o bailar das nuvens se abrindo para aquela luz perfeita viesse em minha direção e me acomodasse.
Sentir a lágrima ainda quente percorrer meu rosto e se perder na lateral da minha boca.
Nessa mesma hora a frieza da dor me consumiu e percebi que tudo iria mudar.
Que minha vida deixaria de ser vivida, apenas contada e relembrada como um conto de fadas.
Deixei lições, poemas, textos, uma vida, dois, três e meus amigos - pobre deles, nem puderam se despedir.
(...)
Naqueles segundos eu assisti o meu nascimento.
Vi quando passamos um ao lado do outro em um dia qualquer, sem ambos saberem que logo iriam se deliciar no sabor do amor.
Hoje lembro teu olhar. Teu sorriso e teu perfume.
Sinto ainda o teu cabelo quando meus dedos por eles se perdiam, em um ato de carinho, afeto e amor.
Lamento por não ter feito o que eu poderia ter feito - te salvar.
Lamento por não ter ido antes, para hoje agente no mesmo canto está.
Porém fico aqui buscando sorrisos, para sentir você ai sorrir, se encantar.
Porque sei que minha vida é a sua
E estarei sempre onde você está!
3 anos,
Paula Ellen Rodrigues Fernandes
*13/04/1989
+05/05/2005