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A carta #1

Estava eu, nesse momento, pensando sobre algumas coisas
da vida, como sempre faço ao ouvir uma boa canção.
Veio em tão pensamentos os quais me levaram até meados
de 1994, 95, quando eu, no auge da minha infância, sonhava
assistindo a chuva
cair do céu ou sonhava com monstrinhos chatinhos, hoje vistos
diretamente nos olhos da falsidade imune à certas verdades.

Me lembro um belo dia, como outros mais, quando enquanto
me banhava na neblina pós-tempestade, assistia meu barquinho
de papel ser levado pela correnteza daquele pequeno córrego, que
se tornará um mar ou até o Rio São Francisco na sua plena beleza
grandeza.
Aqueles segundos, assistindo o bailar do papel na água eu imagina
o quão belo seria ser grande, como um rio, mais sonhava em ser
simples como um papel.

- Longe de mim você, falsidade!
- Claro, por favor, me perdoe por ser tão severamente cruel e nu ao mundo, disse ela!

Hoje, 29 de fevereiro.

1 comentários:

Anônimo disse...

o elemento telúrico consegue nos proporcionar sensações nunca antes sentidas.
a chuva é um bom exemplo.
o barco de papel é uma boa contextualização para aquilo que chamaríamos poeticamente: perspectiva existencial pós-moderna.
estamos à deriva, não é mesmo?
"que seja doce" já dizia o escritor gaúcho.

charlie.