Parte 1
Naquela manhã, ele apenas queria dizer a ela tudo que sentia. Mais a incerteza tomava de conta da sua mente e até dos seus sentimentos. Ele encontrava-se deitado em sua cama, em um quarto onde as luzes eram apenas aquelas frestas que teimavam passar pelos cantos das cortinas em sua janela. O sol acabara de acordar, junto com os sons que fazem jus àquela bela manhã, como os pássaros, por exemplo.
Aquela paixão que nascia, era de fato proibido. Pois sabia ele que nada poderia acontecer. Ambos vivendo em mundos diferentes. Ele, o pobre coitado. O Simples poeta esquecido pelo tempo. Ela, a donzela perfeita, que por onde passa deixa todos em suspiros com sua beleza irradiante.
Mais o jogo (a vida) trouxe a eles uma bela amizade. Onde brincadeiras muitas vezes significavam muito para ele (apenas ele). E ela via apenas mais um amigo. Como todos aqueles outros que sempre a chamavam para beber umas e outras em festinhas mundo a fora. Mundo esse que é o real mundo dela e que ele vive bem distante, um universo além.
E sem saber o que fazer ele partiu para o mundo das ilusões. Onde não podia ver se quer uma rosa, flor, arco-íris que logo em sua mente via aquele sorriso, que teima em fazer cair lágrimas, que molham o seu desespero de, quem sabe, viver sozinho para sempre. Busca em qualquer prazer alguma forma de esquecer aquilo tudo. Jogos, diversões inúteis, falsos amigos e até um falso viver. Viver pensando em algo que ele quer e não o pode ter nem ao seu alcance era certeza em sua vida. Sempre foi assim.
O amor, com o passar dos dias vai crescendo, novamente ele está sozinho pensando nela. Tarde passada estiveram juntos conversando sobre o tempo. É, sobre “o tempo”. Logo ele que sempre trás para este pobre poeta dor e angustia.
Ele estava na varanda de casa, se preparava para assistir o pôr-do-sol. A surpresa veio ao toque da sua leve mão à porta, onde indagava suavemente seu nome. Assustado e nervoso ele foi ao encontro e atendeu a moça, convidando-a de imediato a acompanhá-lo a um passeio pelo “resumo do dia”. Era assim que ele chamava o dormir do sol. E ela sem entender muito, foi.
Os dois ficaram lado a lado sem mencionar uma palavra se quer, apenas assistiam o sol desaparecer no horizonte. A casa dele se localizava um pouco distante das outras e por ter um prédio, tinha uma bela vista tanto do lado nascendo como poente, onde ele sempre se encontrava. Foi exatamente naquela hora que ela percebeu que existia algo diferente naquele mocinho.
Ela observava agora os olhos abobalhados do garoto, que assistia o pôr-do-sol como se fosse ali o ultimo dos tempos. Ela adorava o seu jeito diferente. Foi quando os olhares fixaram em uma só direção, sendo interrompido pelo celular dela, que tocou bem naquela hora, maldito celular.
(E o sol se foi...)
Parte 2
No dia seguinte ele caminhava pela rua, pensando sabe Deus o que, pois até eu, o escritor, não consigo imaginar o que esse garoto tanto pensa ou o que esconde.
É amor ou uma tristeza profunda, mais conhecida como depressão (Palavra pesada). Não desejo isso nem para o pior dos meus inimigos. Mais você consegue imaginar a ‘tristeza’ em ‘depressão’?
Caminhando ele encontrou um velho amigo. Um grande amigo que o convidou para uma tarde de filmes em sua casa. Eles eram acostumados a fazer isso e tal convite foi aceito de mediato. E naquela hora marcada lá estava ele, bem quieto, como de costume. E os amigos foram chegando, até que ela chegou. Os pensamentos voltavam apenas para ela, o filme já nem fazia sentido e quando ele se fez injustiçado pelo tempo, tentou prestar atenção ao filme e se viu naquela historias. Uma historia onde o possível se torna completamente impossível e em sua mente vem apenas o querer ver um belo pôr-do-sol.
Será que a vida teria mesmo aquilo tudo reservado a esse pobre rapaz? Só sei descrever um grande detalhe daquela tarde. Foi quando em uma das cenas do filme um casal se declarava e se beijavam romanticamente e para eles ali, ironicamente uma troca de olhares. E ela, baixando sua cabeça deixou bem claro para o destino que nada poderia acontecer.
Duas Lágrimas
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário